Modernização da frota, expansão das operações e reforço da posição estratégica de Angola no transporte aéreo marcam nova fase da transportadora nacional
A Transportadora Aérea Angolana (TAAG) considera que 2026 será um marco decisivo no processo de transformação e modernização da companhia. A garantia foi dada pelo Presidente da Comissão Executiva (PCE), Clóvis Rosa, que assegura que a empresa entrou numa nova etapa de reorganização operacional, renovação da frota e fortalecimento da conectividade nacional e internacional.

Depois de um ano marcado por desafios significativos no sector da aviação civil mundial, a companhia afirma ter lançado as bases para uma estrutura mais sólida, sustentável e preparada para responder às exigências do mercado global.
Reorganização profunda prepara futuro da companhia
Segundo Clóvis Rosa, o ano de 2025 foi particularmente exigente para a TAAG, mas simultaneamente determinante para o futuro da transportadora.
Num contexto internacional marcado pela subida dos custos operacionais, volatilidade dos preços dos combustíveis, dificuldades nas cadeias globais de fornecimento e aumento das exigências regulatórias, a companhia implementou um conjunto de medidas consideradas estruturantes para garantir maior estabilidade financeira e operacional.
Durante o exercício económico, a TAAG transportou cerca de 1,26 milhão de passageiros, operou uma rede composta por 26 destinos e encerrou o período com uma frota de 32 aeronaves.
Para a administração da empresa, mais importante do que os números alcançados foi a criação de condições para uma transformação sustentável e duradoura, capaz de posicionar a companhia entre os principais operadores aéreos da região africana.

Novos aviões prometem mais conforto e eficiência
A renovação da frota continua a ser um dos pilares centrais da estratégia da TAAG.
A introdução gradual dos modernos Boeing 787 Dreamliner e Airbus A220 está associada à transferência das operações para o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto e ao objectivo de transformar Luanda num importante hub regional e intercontinental.
De acordo com Clóvis Rosa, a combinação entre uma infra-estrutura aeroportuária moderna e aeronaves de última geração permitirá melhorar significativamente a experiência dos passageiros, ao mesmo tempo que reforça a competitividade da companhia.
Os novos aparelhos oferecem maior conforto, sistemas de entretenimento mais avançados e configurações adaptadas às actuais exigências do mercado, contemplando as classes Business, Premium Economy e Economy.
Além da melhoria da experiência do cliente, a renovação da frota traz vantagens operacionais relevantes. Os Boeing 787 permitem reduzir o consumo de combustível em aproximadamente 30% em determinadas rotas internacionais, enquanto os Airbus A220 registam ganhos próximos dos 20% em algumas operações regionais.
A companhia acredita que estas melhorias terão impacto directo na redução dos custos operacionais, aumento das receitas e fortalecimento da sustentabilidade financeira.
Boeing 787 deverão chegar à rota Luanda-Lisboa em Setembro de 2026
Apesar da chegada dos novos aviões, algumas rotas estratégicas para a Europa continuam a ser operadas por aeronaves mais antigas.
Segundo o responsável, esta situação está relacionada com recomendações emitidas pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), que exigiram ajustes e melhorias em procedimentos operacionais da companhia.
Para responder às exigências da autoridade europeia, a TAAG implementou um programa interno de excelência operacional com acompanhamento técnico da Lufthansa Consulting.
A expectativa da administração é concluir este processo até Setembro de 2026, permitindo que os modernos Boeing 787 passem a operar regularmente na ligação entre Luanda e Lisboa, uma das rotas mais importantes da rede internacional da transportadora.
Actualmente, os Dreamliner já estão ao serviço em destinos como São Paulo, Cidade do Cabo e Joanesburgo.
Estado continua a apoiar recuperação financeira
Questionado sobre a dependência da companhia em relação ao apoio do Estado, Clóvis Rosa recordou que a capitalização da empresa ocorreu no âmbito do processo de recuperação iniciado após os impactos provocados pela pandemia da Covid-19.
O gestor sublinhou que medidas semelhantes foram adoptadas por vários governos em diferentes regiões do mundo para salvar companhias aéreas estratégicas.
Como exemplo, citou a TAP Air Portugal, que recebeu cerca de três mil milhões de euros em apoios públicos durante o período de crise.
Segundo explicou, o programa de saneamento financeiro e capitalização da TAAG continua em curso, estando parte das medidas já executadas e outras em fase de preparação.
Carga aérea pode impulsionar exportações nacionais
A companhia também pretende reforçar o papel da carga aérea no apoio à produção nacional e ao aumento das exportações.
Clóvis Rosa explicou que grande parte da carga aérea mundial é transportada nos porões dos aviões de passageiros, modelo que a TAAG pretende continuar a explorar.
Nas ligações intercontinentais, como Lisboa e São Paulo, cada aeronave pode transportar até 20 toneladas de carga por voo, permitindo à companhia disponibilizar soluções logísticas competitivas para produtores e exportadores angolanos.
A estratégia insere-se no objectivo de contribuir para a diversificação da economia nacional, facilitando o acesso dos produtos angolanos aos mercados internacionais.
Com a modernização da frota, a consolidação do novo aeroporto internacional e o reforço das operações, a TAAG acredita estar a construir as condições necessárias para assumir um papel mais relevante no transporte aéreo africano e na ligação de Angola ao mundo.



